quarta-feira, 22 de março de 2017

Confira os acontecimentos que marcaram a venda da Busscar

Agora é definitivo. A Caio Induscar comprou a Busscar Ônibus, de Joinville, por R$ 67,15 milhões. A fabricante de ônibus de Botucatu, no interior paulista, vai pagar R$ 9,40 milhões à vista, e os restantes R$ 57,74 milhões serão pagos em 52 parcelas, com valores corrigidos monetariamente.

A Busscar, que já foi líder nacional na fabricação de carrocerias de ônibus, teve sua falência decretada há pouco mais de três anos. A Caio vai produzir ônibus rodoviários em Joinville e já iniciou, via redes sociais, a busca por ex-trabalhadores da Busscar. Ainda não há data para início de contratação de pessoas, e nem quando a empresa vai retomar a produção. 

Informalmente, sabe-se que a empresa planeja contratar 300 trabalhadores na etapa inicial. Isso é esperado ainda para este ano. Falta concluir etapa burocrática de eventual apresentação de recursos da sentença judicial. No entanto, não haverá recursos.

O dinheiro arrecadado com a venda será direcionado para o pagamento de pendências financeiras da empresa. Em dezembro, funcionários receberam parte dos créditos adquiridos com outras transações envolvendo os bens da fabricante de ônibus de Joinville.

Os principais acontecimentos que envolveram a Busscar desde janeiro de 2010.

25/1/2010
Em crise, empresa inicia o plano de demissão voluntária.

15/4/2010
Funcionários entram em greve e protestam por causa do atraso no pagamento de salários e benefícios.

19/5/2010
Nova manifestação dos funcionários invade as ruas de Joinville.

16/3/2011
Funcionários reclamam dos salários atrasados e acionam o Sindicato dos Mecânicos para tentar um acordo.

19/4/2011 
Com um ano de salários atrasados, funcionários realizam novo protesto em frente à empresa.

31/8/2011
Sem recolher impostos e pagar salários haviam 16 meses, primeiros bens da empresa são leiloados em Florianópolis. Objetivo era arrecadar R$ 1,58 milhão, mas valor arrematado chegou a apenas R$ 21 mil.

26/9/2011
Quase um ano e meio depois de mergulhar na pior crise de sua história, a Busscar Ônibus recebeu a primeira proposta oficial de compra de seu parque fabril e maquinário. A concorrente Caio Induscar protocolou junto à 4 ª Vara da Justiça do Trabalho de Joinville uma proposta no valor de R$ 40 milhões, que seriam pagos em dez parcelas de R$ 4 milhões.

20/10/2011
A 4ª Vara da Justiça do Trabalho de Joinville nega o pedido da Caio e determina uma nova avaliação dos bens da empresa joinvilense.

3/11/2011
Decisão do juiz da 5ª Vara Cível, Maurício Cavallazi Povoas, concede à Busscar o aval para o pedido de recuperação judicial. Empresa tem até o fim do ano para apresentar um plano de recuperação. Rainoldo Uessler é nomeado como administrador judicial da empresa durante o período do processo.

31/12/2011
Representantes da Busscar entregam ao juiz Maurício Cavallazi Povoas, da 5ª Vara Cível de Joinville, o plano de recuperação judicial da companhia, antecipando em cinco dias o prazo legal para protocolar o documento na Justiça.

10/5/2012
A joint venture formada pela Marcopolo e a Caio Induscar quer alugar o parque fabril da Busscar, caso a joinvilense tenha sua falência decretada após a assembleia dos credores.

7/5/2012
O presidente da Busscar, Cláudio Nielson, admite, pela primeira vez, sair do comando da empresa.

13/4/2012
Um repasse de R$ 349,2 mil, vindo do BNDES, entra em uma das contas da Busscar. É o primeiro pagamento feito pela instituição financeira referente a um ônibus fabricado desde o pedido de recuperação judicial.

13/6/2012
Juiz dá dez dias para Busscar refazer plano de recuperação. Maurício Povoas determina que empresa pague R$ 115,6 milhões aos funcionários em 12 meses e não em 36. Assembleia será no Centreventos em 7 de agosto.

29/6/2012 
Busscar propõe que trabalhador credor vire sócio.

7/8/2012
Depois de seis horas e meia, a assembleia de credores da Busscar Ônibus decide adiar o desfecho da empresa para uma nova data, dia 25 de setembro.

27/9/2012
A Justiça de SC decreta a falência da Busscar e de todas as empresas que fazem parte da companhia.

27/11/2013
A Justiça catarinense anula a falência da Busscar, atendendo a um pleito de seus antigos controladores. Pouco depois, em 5 de dezembro, a falência é novamente decretada.

30/9/2014
O juiz Luís Canever julga improcedente o pedido de recuperação judicial por parte das empresas do Grupo Busscar e decreta o conglomerado oficialmente falido.

25/11/2014
Primeiro leilão da Tecnofibras – uma das empresas do Grupo Busscar – é realizado. Luís Canever entende que as propostas são muito baixas e não autoriza a venda da empresa.

11/3/2015
Acontece o segundo leilão da Tecnofibras. Avaliada em R$ 74 milhões, a maior oferta de compra foi de apenas R$ 10 milhões. Canever adia a venda novamente.

18/9/2015
Leilão de bens não operacionais da Busscar é marcado para 23 de outubro, com lance mínimo pelo valor de avaliação. Não havendo interessados, segundo leilão ocorreria em 10 de novembro, com 60% do valor. Já o leilão da Tecnofibras é marcado para 18 de novembro na modalidade pregão.

10/11/2015
Leilão dos bens não operacionais do Grupo Busscar é realizado em Joinville e rendeu R$ 12,096 milhões, com 515 lances dados na disputa de mais de 90% dos bens ofertados.

11/1/2016
Empresa mineira de transporte de passageiros articula pool de investidores para, juntos, disputarem a aquisição do parque fabril da Busscar Ônibus. Leilão de bens operacionais é marcado para o dia 15 de março, com avaliação de R$ 369 milhões. Valor inclui a fábrica de carrocerias de Joinville, a fábrica de peças de Pirabeiraba e a fábrica de peças em Rio Negrinho. Se não houver interessados, segundo leilão ocorreria em 29 de março, com 60% do valor.

18/11/2015
Tecnofibras, única empresa do Grupo Busscar em atividade, é arrematada por R$ 24,4 milhões pelo grupo paulista Jointec, que tem filial em Joinville. O valor de arremate ficou bem abaixo da avaliação inicial, que era de R$ 74 milhões.

29/3/2016
Na segunda tentativa de venda, nenhum candidato aparece para arrematar os bens operacionais da Busscar. Apesar da falta de interesse dos investidores pelo valor mínimo ofertado (R$ 176,5 milhões, descontados os ativos), a equipe responsável pelo leilão contabilizou quatro interessados em adquirir o negócio por valores menores.

6/6/2016
A terceira e última tentativa de venda do conjunto da operação da Busscar, medida que possibilitaria eventual retorno das atividades, seria realizada no dia 7 de julho. Os termos do edital foram definidos pelo juiz substituto da 5 ª Vara Cível de Joinville, Walter Santin Junior, e publicados no Diário de Justiça.

27/10/2016
Grupo de investidores oferece R$ 67,15 milhões pela empresa, com uma entrada de cerca de R$ 9 milhões e o restante parcelado. Interessado propõe recolocar a Busscar na ativa e investir pelo menos R$ 100 milhões.

7/7/2016
Mais uma vez, nenhum lance é apresentado para a compra dos bens operacionais do Grupo Busscar com 49% do valor estimado no laudo de avaliação. Para surpresa do Sindicato dos Trabalhadores e da equipe do leilão, nem as peças atraíram os investidores.

3/11/2016
O juiz substituto da 5 ª Vara Cível da Comarca de Joinville, Walter Santin Junior, autoriza o pagamento de parte dos créditos trabalhistas extraconcursais – valores devidos ao administrador judicial e seus auxiliares, quantias fornecidas à massa pelos credores, entre outros –, habilitados nos autos do processo de falência da Busscar Ônibus.

12/12/2016
Ex-trabalhadores da Busscar começam a receber créditos da empresa. Na primeira semana, o cronograma prevê o pagamento para 1,4 mil ex- funcionários.

21/3/2017
Justiça decreta a venda da empresa Busscar à paulista Caio Induscar por R$ 67,15 milhões. O juiz da 5ª Vara Cível da Comarca de Joinville, Walter Santin Junior, homologou o negócio em sentença definitiva.

26/2/2017
Morre Rainoldo Uessler, administrador judicial da Busscar.

8/2/2017
Juiz da 5ª Vara Cível da Comarca de Joinville, Walter Santin Junior, sinaliza que existe o interesse oficial da Caio Induscar, de Botucatu (SP), na compra das instalações, equipamentos e tecnologia da empresa Busscar.
Com informações: Diário Catarinense/A Notícia

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