segunda-feira, 17 de abril de 2017

Empresário restaura o ônibus Flecha Azul

É em São Roque-SP, perto do seu habitat natural, a rodovia Raposo Tavares, que um Rei da Estrada ganha cuidados após três décadas de idas e vindas: o ônibus CMA Flecha Azul VII 7171, construído em 1996 para a Viação Cometa, e que se tornou o xodó de um apaixonado pelo assunto. A aquisição e a reforma dele, em andamento, coroa 30 anos de um sonho de menino do hoje professor e empresário Humberto Liber, de 37 anos. 
  
Conforme as informações que seu novo dono conseguiu na própria Cometa, o 7171 tinha sede na garagem de Araraquara. "Consegui contatar o departamento de comunicação da empresa e, por intermédio deles, localizamos o antigo chefe de manutenção desse ônibus. Ele foi reconhecido pela placa (na Cometa, a sequência numérica da chapa atendia ao prefixo do ônibus)", relembra Humberto. Com 46 lugares, ele tem banheiro, servia linhas médias e longas e pertenceu à Cometa entre 1996 e 2007, tendo prestado serviços na região de Sorocaba antes de ser vendido. 
  
A recuperação, segundo o proprietário, busca preservar o máximo das características originais internas e externas do carro. O desafio maior, no momento, é a reforma das poltronas, em couro vermelho, marca registrada desses ônibus. "O processo de restauração é minucioso e podemos dizer que nunca acaba, pois sempre há algo a mais a ser feito para deixá-lo o mais perfeito possível", observa. O último serviço foi na poltrona do motorista, que ganhou uma capa azul como a utilizada pelos condutores da época. Avisos como "Proibido Fumar" também foram recolocados e, pendurado no painel de instrumentos, há até um picotador de passagens, presente de um ex-motorista. 
  
A carroceria em duralumínio foi pintada com um layout que remete ao da época, substituindo o amarelo pelo vermelho. "Já existem outros Flechas com a pintura original (em azul, prata e amarelo), sem o nome "Cometa", evidentemente. E o vermelho é a minha cor preferida", justifica. A grafia das letras foi copiada da verdadeira e executada pacientemente por um pintor. 
  
Reverência   
Nascido em São Paulo, Humberto cresceu viajando no antecessor do Flecha, o Ciferal Dinossauro. A paixão ficou evidenciada durante o período que usou os Flechas diariamente, para estudar em Sorocaba. E o seu gesto, acredita, é uma pequena retribuição para que a história do ônibus mais emblemático das estradas não se perca. "O destino natural desses carros acaba sendo o transporte clandestino e a sucata. É um projeto nacional que merece ser valorizado", resume. 
  
Um ônibus que se tornou uma lenda   
O CMA Flecha Azul teve oito gerações, entre 1983 e 1999, que divergiam entre si em detalhes da carroceria, configuração interna e versão do motor Scania. Sucessor dos lendários GM PD-4104 Morubixaba (1954), Ciferal Turbo Jumbo (1969) e Ciferal Dinossauro (1972), entre outros, o Flecha foi construído pela própria Cometa, por intermédio da Companhia Manufatureira Auxiliar (CMA), sua controlada, como solução para a falência da Ciferal, no começo dos anos 80. 
  
A combinação da carroceria de alumínio com a potência do motor Scania, o Flecha VII utiliza o K113CL, de 360 cavalos justifica, na prática, o nome Flecha Azul. "É um motor projetado para tracionar até 40 toneladas de peso, e um ônibus desse cheio pesa, no máximo, 14 toneladas. Sobra força e por isso víamos, na estrada, um desempenho jamais alcançado por qualquer outro", afirma Humberto. Outra característica era o show de luzes dado pela combinação de suas lanternas, que permitia a comunicação em código entre os motoristas da empresa durante as viagens. 
Veículo 7171 em plena operação na Viação Cometa
Os últimos Flecha Azul (Flecha VIII) foram construídos em 1999, com os prefixos 7455 e 7501. Os dois estão preservados, um pelo Grupo JCA, que controla a Viação Cometa e o recuperou para comemorar os 65 anos da empresa, e o outro por um particular. A CMA encerrou a produção de ônibus em 2002, com o CMA Cometa, veículo de três eixos que recebeu o apelido de "Estrelão" e também foi equipado com chassi Scania. Por quatro décadas, a Cometa foi a maior frotista da montadora sueca no mundo. 
Com informações: Jornal Cruzeiro do Sul

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Fortalbus se reserva no direito de selecionar os comentários.

© 2010-2016. Fortalbus Busólogos - Todos os direitos reservados