terça-feira, 16 de maio de 2017

Fundador da Viação Itapemirim denuncia "golpe" na empresa e vai à Justiça

O fundador do Grupo Itapemirim, Camilo Cola, vai à Justiça para tentar retomar o controle das empresas que estão atualmente em processo de recuperação judicial. Segundo ele, os novos donos, que serão denunciados ao Ministério Público Estadual (MP-ES), teriam desviado R$ 8,1 milhões do caixa, utilizando a receita da venda de passagens da Viação Itapemirim, o braço mais rentável do grupo, para pagar serviços “supostamente executados por outras empresas dos novos sócios”.

Desde outubro de 2016, o grupo é presidido por Camila Valdivia e tem ainda como sócios Sidnei Piva e Milton Rodrigues. Os executivos são de São Paulo e donos de escritórios contábeis. De acordo com dados da Junta Comercial de São Paulo, Valdivia é dona de oito empresas e Sidnei de outras 10.

A família Cola diz ter recebido denúncias de funcionários do grupo de que desde novembro do ano passado são feitos depósitos diários de R$ 50 mil para a Delta X Tecnologia de Informação Ltda., empresa que também é de propriedade de Valdivia e Piva. Os repasses constam em notas fiscais que foram anexadas à denúncia.

“Esses serviços seriam prestados a título de consultoria de informática, mas não há comprovação dessas atividades, ainda mais em um valor diário como esse. Desde novembro, todos os dias são feitos esses pagamentos”, afirma o advogado de Camilo Cola, Marcelo Miranda.

Cola disse se sentir enganado e acredita que o mesmo “golpe” dado em empresas paulistas está sendo aplicado na Itapemirim. “Tivemos nossa confiança traída por pessoas de nossa maior consideração. Uma articulação monstruosa. Demitiram inúmeros funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, multas e FGTS. O Espírito Santo precisa saber quem é essa gente. Tenho 94 anos, não quero ver a história da Itapemirim ser manchada”, afirmou Camilo.

O advogado de Camilo Cola aponta que nenhum dos compromissos acordados com os atuais gestores foi honrado. Segundo ele, a Itapemirim teria sido vendida para a atual presidente sem o repasse de nenhum custo para a família.

Valdivia, no entanto, passaria a ser a responsável pela dívida de R$ 336,49 milhões da companhia que está em processo de recuperação judicial.

“Foram demitidos 60 funcionários, que tinham entre 15 e 20 anos de empresa, que até hoje não receberam nenhum centavo dos seus direitos. Já fizemos a denúncia na Polícia Civil e na Federal. Camilo teme que a Itapemirim seja destruída e que ele seja responsabilizado futuramente. Nosso objetivo é devolver a empresa à família Cola, antes que ela seja destruída”, diz o advogado.

Outro lado
Em nota, os novos proprietários da Itapemirim reafirmaram “a profunda admiração pelo antigo fundador e o compromisso em prestar ao administrador judicial todo o desenvolvimento financeiro, fiscal e contábil de todas as atividades da empresa quanto ao processo de recuperação judicial”.

Sobre as acusações de supostos desvios na empresa, a Itapemirim informa que “contratou uma das maiores empresas de auditoria, reconhecida internacionalmente, para que audite todos os processos administrativos e financeiros da nova gestão” e que “qualquer assunto relativo aos antigos proprietários serão tratados nas esferas competentes”.

Histórico
Fundada em 1953, em Cachoeiro de Itapemirim, pelo empresário Camilo Cola, a Itapemirim começou com 16 veículos e 70 funcionários. Em 1967, entraram em operação as primeiras linhas para o Nordeste e, com o passar dos anos, novas cidades foram integradas aos itinerários. Em 2006, foi legitimada como marca de alto renome pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Diversificação
Entre as décadas de 1970 e 1990, as atividades do Grupo Itapemirim foram diversificadas, passando a abranger os segmentos como mineração, agropecuária, restaurantes, hotéis, turismo e concessionárias de veículos.

Venda
Em junho de 2015, a cachoeirense Kaissara havia passado a operar cerca de 40% da frota e mais da metade das linhas da Itapemirim. No total, foram repassadas à Kaissara 68 das 118 linhas que eram operadas pela empresa. A Itapemirim permaneceu operando 50 trechos, o que corresponde a 43% da fatia de mercado em que atuava antes do negócio.

Recuperação judicial
Em março de 2016, a Itapemirim protocolou um pedido de recuperação judicial na 13ª Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória. O processo envolve seis empresas do grupo.

Edital
Em julho de 2016, foi publicada a lista de credores da empresa, um das etapas da recuperação judicial.

Decisão
Em dezembro, a Justiça estadual incluiu a Kaissara no processo de recuperação judicial. O juiz Paulino José Lourenço entendeu que houve “desvio de patrimônio” na operação de transferência das linhas e apontou indícios do uso de “laranjas” pelo fato da nova empresa ter como sócios dois funcionários da Itapemirim.

Compra
Na mesma decisão, o juiz determina a exclusão dos “sócios/empregados” da Kaissara e a transferência do controle aos novos acionistas da Itapemirim: Sidnei Piva de Jesus e Camila de Souza Valdívia. Até o ajuizamento do pedido, o grupo era gerido por Camilo Cola Filho.
Com informações: G1 ES

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