quinta-feira, 1 de junho de 2017

Antigos proprietários querem retomar a posse do Grupo Itapemirim

Após denúncia de Camilo Cola contra os responsáveis pela recuperação judicial do grupo Itapemirim por desvios de dinheiro do caixa e descumprimento de obrigações trabalhistas,  o juiz responsável pelo processo de reintegração de posse agendou audiência para o dia 21 de junho. Na audiência serão ouvidas testemunhas e verificada a necessidade de inspeção judicial.

O fundador do Grupo Itapemirim, Camilo Cola, acusa os novos donos de terem desviado R$ 8,1 milhões do caixa, utilizando a receita da venda de passagens da Viação Itapemirim, o braço mais rentável do grupo, para pagar serviços “supostamente executados por outras empresas dos novos sócios”.

Desde outubro de 2016, o grupo é presidido por Camila Valdivia e tem ainda como sócios Sidnei Piva e Milton Rodrigues. Os executivos são de São Paulo e donos de escritórios contábeis. De acordo com dados da Junta Comercial de São Paulo, Valdivia é dona de oito empresas e Sidnei de outras 10.

A família Cola diz ter recebido denúncias de funcionários do grupo de que desde novembro do ano passado são feitos depósitos diários de R$ 50 mil para a Delta X Tecnologia de Informação Ltda., empresa que também é de propriedade de Valdivia e Piva. Os repasses constam em notas fiscais que foram anexadas à denúncia.

“Esses serviços seriam prestados a título de consultoria de informática, mas não há comprovação dessas atividades, ainda mais em um valor diário como esse. Desde novembro, todos os dias são feitos esses pagamentos”, afirma o advogado de Camilo Cola, Marcelo Miranda.

Cola disse se sentir enganado e acredita que o mesmo “golpe” dado em empresas paulistas está sendo aplicado na Itapemirim. “Tivemos nossa confiança traída por pessoas de nossa maior consideração. Uma articulação monstruosa. Demitiram inúmeros funcionários sem o pagamento de verbas rescisórias, multas e FGTS. O Espírito Santo precisa saber quem é essa gente. Tenho 94 anos, não quero ver a história da Itapemirim ser manchada”, afirmou Camilo.

O advogado de Camilo Cola aponta que nenhum dos compromissos acordados com os atuais gestores foi honrado. Segundo ele, a Itapemirim teria sido vendida para a atual presidente sem o repasse de nenhum custo para a família. Valdivia, no entanto, passaria a ser a responsável pela dívida de R$ 336,49 milhões da companhia que está em processo de recuperação judicial.

“Foram demitidos 60 funcionários, que tinham entre 15 e 20 anos de empresa, que até hoje não receberam nenhum centavo dos seus direitos. Já fizemos a denúncia na Polícia Civil e na Federal. Camilo teme que a Itapemirim seja destruída e que ele seja responsabilizado futuramente. Nosso objetivo é devolver a empresa à família Cola, antes que ela seja destruída”, diz o advogado.

Outro lado
Em nota, os novos proprietários da Itapemirim reafirmaram “a profunda admiração pelo antigo fundador e o compromisso em prestar ao administrador judicial todo o desenvolvimento financeiro, fiscal e contábil de todas as atividades da empresa quanto ao processo de recuperação judicial”.

Sobre as acusações de supostos desvios na empresa, a Itapemirim informa que “contratou uma das maiores empresas de auditoria, reconhecida internacionalmente, para que audite todos os processos administrativos e financeiros da nova gestão” e que “qualquer assunto relativo aos antigos proprietários serão tratados nas esferas competentes”.
Com informações: Folha do ES

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