domingo, 2 de julho de 2017

Cinco anos do resultado da licitação do sistema de transporte coletivo de Fortaleza

Por Fortalbus
Há cinco anos, a cidade de Fortaleza implantava o novo sistema de transporte urbano, através de uma licitação que foi realizada pela Prefeitura de Fortaleza, prometendo mudanças no sentido de otimizar e proporcionar um transporte de qualidade ao usuário. Neste período novas linhas foram criadas, novas tecnologias implantadas, novos ônibus passaram a ofertar ar condicionado e ouve de fato várias melhorias para quem faz uso do transporte coletivo.

Antes da licitação, 22 empresas atuavam no transporte coletivo da Capital, através de contratos que estavam prestes à vencer. Foi então que o município de Fortaleza concluiu a licitação, que determinava mudanças no modelo operacional do transporte. A primeira novidade apresentada era que o sistema de transporte seria dividida em cinco áreas, cada qual operada por uma empresa ou consórcio, com uma média de 380 ônibus.

No inicio do sistema teve seus pontos positivos e negativos. O lado positivo foi notado pelos moradores de alguns bairros, que antes eram atendidos com veículos acima da idade média permitida e começaram a contar com novos ônibus operados pelas empresas concessionárias da área em que estes bairros fazem parte. Inicialmente as mudanças chegaram a ser sentida pelos usuários, que contavam com veículos conservados e acessíveis.

Enquanto isso o ponto negativo foi as outras áreas que sofreram grandes alterações. Um erro que vem sendo cometido até hoje é a operação de veículos com identificação de um determinado consórcio operando em linhas que, na prática, não deveriam, pois a linha não faz parte do consórcio associado. 

Conheça as empresas e consócios vencedores da licitação municipal em 2012:

Consórcio TransLeste: Viação Urbana Ltda e Auto Viação Fortaleza Ltda.

Consórcio Antonio Bezerra: Vega S/A Transporte Urbano; Santa Cecília Transportes Ltda; Santa Maria Ltda e Transportes Urbanos Aliança S/A.

Consórcio Expresso 5: Auto Viação São José Ltda; Fretcar Transporte Urbano; Viação Siará Grande; Cearense Transporte Urbano e Terra Luz Transportes S/A.

Consórcio Parangaba: Dragão do Mar Ltda; Auto Viação São José Ltda e Maraponga Transportes Ltda.

Consórcio Messejana: Auto Viação Fortaleza Ltda; Vega S/A; Auto Viação Dragão do Mar Ltda; Rota Expressa S/A.

Com a saída de alguns tradicionais nomes de empresas, já não podem mais ser vistos nos ônibus operando linhas em nossa capital. Alguns grupos de empresas deixaram de prestar serviços de transporte urbano em Fortaleza, visto que nos últimos anos, antes da licitação, as demais extintas mudaram suas configurações acionárias ou dividiram-se em ramificações. Mesmo vencendo a licitação, duas empresas de ônibus encerraram suas atividades.

Servindo os fortalezenses desde 1964, a Empresa Montenegro tinha forte identificação com os bairros da região sul de Fortaleza, como o grande Conjunto Esperança e adjacências. Desde 2004, a empresa passou a atuar também como Asa Azul Transportes

Outra que encerrou as atividades no urbano é a São Benedito, que iniciou no segmento com as linhas José Walter/BR116 e José Walter/Expedicionários em 1986, adquiridas da Empresa Clotran. A partir da década de 1990, o bairro José Walter, se torna o principal reduto da empresa com a inauguração da filial urbana. Agora, o Grupo São Benedito passa a atuar somente no transporte metropolitano e intermunicipal. 

A São Francisco Transporte e Turismo, também com a licitação deixou de operar em Fortaleza, desde a cisão da empresa no ano de 2004, a Empresa Cearense passou a assumir suas principais linhas, que aos poucos foi se destacando no transporte local, resultando na sua atual participação no consórcio 5, vencedores da licitação.

Originada em 1983, a Transpessoa também saiu de cena, dando lugar a Aliança Transportes, que em apenas 12 anos de existência tornou-se a principal empresa do grupo, que mantém as raízes da empresa ainda operando na mesma região da cidade, sendo ganhadora de diversos prêmios e sempre atendendo o usuário como ele merece.

Da mesma forma, uma das mais tradicionais empresas cearenses, a Expresso Timbira, também não faz mais parte do nosso sistema. Embora fosse tímida a sua presença antes da licitação, desde a mudança da razão social para Viação Santa Cecília, o grupo confirma sua presença no atual Consórcio Antônio Bezerra. A atual denominação é uma homenagem às suas origens, quando fundada em 1946, porém, só passou a chamar-se Timbira a partir de 1968. 

Além destas, a tímida Maratur, originada da Maraponga Transportes no começo da década passada, também não faz mais parte do atual sistema. A Maraponga segue com o tradicional nome compondo o atual Consórcio Parangaba. 

Talvez o fim que mais deixa saudades entre os fortalezenses seja a Empresa São José de Ribamar com trajetória de tradição e qualidade no transporte cearense. Há mais de 45 anos servindo a população, a Empresa São José de Ribamar (10) firmou-se entre as demais empresas de Fortaleza pelo seu jeito ímpar de transportar pessoas. Veículos eram tratados com zelo, manutenção exemplar, além de ser a única a ter operado com sua pintura original até o encerramento de suas atividades, fizeram com que a 10 ocupasse um papel de destaque no transporte de Fortaleza e do Ceará.

Também merece destaque as diversas ações de conscientização promovidas pela Empresa no interior de seus veículos. Frases como "Viva mais, não fume" e "Motorista, seu filho também anda na rua" estiveram presentes em todos os ônibus.

Detentora de uma frota diversificada em termos de carrocerias e chassis, a Empresa sempre esteve a frente de seu tempo, sendo pioneira em várias medidas implantadas no transporte público da capital, como a implantação de veículos com ar-condicionado em 2000.

Sua trajetória foi encerrada, pois a São José de Ribamar não participou do processo licitatório realizado pela Prefeitura de Fortaleza. Com isso não veremos outra empresa chegar ao patamar do jeito São José de Ribamar de transportar pessoas, com conforto, segurança e zelo. A coragem inabalável de seu fundador, Sr. João Alberto Leite Barbosa, de lutar pelos seus direitos que são cabíveis ao poder público e o enfrentamento das adversidades para manter a Empresa são dignas de reconhecimento e de exemplo.

A Rota Expressa S/A, ganhou a licitação fazendo parte do consórcio Messejana, operou e prosperou durante um curto espaço de tempo, tendo suas atividades encerradas no sistema de transporte urbano de Fortaleza em Outubro de 2014, deixando um legado de 15 anos de operação, com bons serviços prestados aos seus passageiros. Conhecida por sua frota muito conservada, dando preferência nos últimos anos a renovação com Marcopolo e Neobus.

Outra empresa de ônibus vencedora dessa licitação municipal que não conseguiu se manter no sistema foi a Cearense Transportes, após 11 anos de serviços prestados. A empresa acabou decretando falência em Setembro de 2015, depois de meses operando no vermelho, por não conseguir arcar com os custos de pagamento dos funcionários e encargos, óleo diesel, peças, pneus, emplacamentos, multas, seguros, renovação da frota e manutenção da operacionalidade.

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