quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Empresas de ônibus em Fortaleza e Região Metropolitana adotam reúso da água

Fechar a torneira ao escovar os dentes, acelerar o banho, aguar o jardim sem utilizar mangueiras. Consertar vazamentos, preocupar-se com o valor da conta no fim do mês. Desde as dicas que se ouve na infância até as tarifas de contingência que mexem com o bolso adulto, a responsabilidade sobre a necessidade de economizar o recurso mais importante à vida humana tem a sociedade como protagonista. Entretanto, com o agravamento da crise hídrica no Ceará, as medidas de racionalização do uso da água têm se expandido para diversos âmbitos, como nas empresas de transporte público de Fortaleza e da Região Metropolitana (RMF), por exemplo, que têm adotado o reúso da água como forma de economiza-la.

De acordo com estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a lavagem dos ônibus é a atividade de rotina que gera mais gastos de água nas garagens brasileiras, mas também a que mais concentra esforços para a economia. O levantamento apontou que quase metade das empresas de ônibus do País já aderiram aos sistemas de reúso da água, medida que diminui em mais da metade o gasto de 63 milhões de litros necessários para a lavagem da frota - quantidade suficiente para o abastecimento diário de uma cidade com até 200 mil habitantes.

Além disso, afirma a coordenadora de Projetos Especiais da CNT, Monique dos Santos, 80% das companhias brasileiras têm ações de combate ao desperdício. "A mobilização já é significativa e grande parte demonstrou interesse em aderir. Não há só benefícios ambientais, mas econômicos", salienta, ressaltando que um manual foi desenvolvido pela CNT para orientar os gestores no desenvolvimento das medidas de gestão hídrica.

Segundo o diretor socioambiental da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Ceará, Piauí e Maranhão (Fetrans), Mário Albuquerque, a adesão das empresas urbanas de Fortaleza e da RMF tem sido "muito forte". "Existem algumas que aproveitam a água que pinga do ar-condicionado e usam em radiadores, captam água da chuva. É claro que isso não vai mudar muita coisa em grande escala, mas já demonstra uma preocupação com a maneira como a gente lida com a questão". Atualmente, segundo a Fetrans, o sistema de transporte público urbano da RMF possui 2.200 ônibus em circulação - distribuídos em 19 empresas -, somando-se a cerca de 500 veículos que integram a frota intermunicipal.

Medidas
O coordenador de Projetos de Inovação da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Carlos Adler Saraiva, arma que "o efeito das ações de economia na Capital repercutem em todo o Estado", destacando que "cada cidadão tem que ter consciência de que a água é dotada de valor econômico e ambiental", mas que medidas em nível industrial, como reúso da água de lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Gavião, também são fundamentais.

A preocupação é justificável: conforme dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), apenas 8,2% da capacidade dos 155 açudes monitorados no Estado estão disponíveis. A situação do Castanhão, que até ano passado concentrava 70% do abastecimento da Capital e da RMF, é mais crítica: só 3,3% do reservatório está preenchido. Hoje, apenas 10% da água que chega às torneiras vêm do açude. "São açudes locais, do sistema Pacoti/Riachão/Gavião, que estão garantindo o abastecimento de Fortaleza e da Região Metropolitana. Mas a crise hídrica é muito grande, e a capacidade deles hoje gira em torno de 30%", lamenta o diretor de planejamento da Cogerh, Ubirajara Patrício, alertando que a estabilidade do abastecimento do Estado depende inteiramente da próxima quadra chuvosa - que precisa ser positiva para evitar um racionamento.

Em Fortaleza, as medidas de racionalização do uso da água devem ser intensificadas ainda este ano. De acordo com a titular da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), Águeda Muniz, o Novo Código de Obras e Posturas da cidade inclui a obrigatoriedade de reúso de água em condomínios e locais com atividades que demandem o uso do recurso e haja possibilidade de reutilização.

O fortalecimento de novas práticas em edifícios públicos e o incentivo no âmbito privado, aponta Muniz, também são pilares para um maior controle do recurso.
Com informações: Diário do Nordeste

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