quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O legado deixado pelo pioneiro Arthur Bruno Schwambach do Grupo Borborema

Por Fortalbus
O Grupo Borborema atua nos segmentos de transportes urbano, rodoviário e fretamento com forte presença nos Estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Hoje fazem parte deste grupo as Empresas; Borborema Imperial Transportes, Real Alagoas de Viação, Real Alagoas Transporte Coletivo, Franciscana Transporte e Rodoviária Borborema, juntas essas empresas operam uma frota de 1.100 veículos. Mas todo esse império de transportes nordestinos se deve por conta do empenho de seu fundador, que em meio as dificuldades soube construir um patrimônio que é referência no cenário nacional.

Arthur Bruno Schwambach praticamente atravessou o País, do Sudeste  ao  Nordeste,  para  chegar  ao  cenário  do  seu  triunfo.  Até  certo  ponto, foi empurrado pelos acontecimentos. Tal como no caso de outros pioneiros, sua sorte esteve diretamente ligada ao desenrolar da Segunda Guerra Mundial. 

Arthur Bruno nasceu no dia 5 de setembro de 1920, em Baixo Guandu, no estado do Espírito Santo. Seus pais, Maria Amélia e Pedro Schwambach Júnior, eram pobres e trabalhavam na lavoura e no comércio para manter os filhos. O pai morreu quando ele tinha 14 anos de idade. Sendo o filho mais velho, tocou-lhe a responsabilidade de assumir o sustento da família. Continuou trabalhando como agricultor, sacrificou o estudo e o lazer, e assim garantiu a manutenção dos irmãos e da mãe. 

Aos  17  anos,  foi  convocado por  sorteio  para  servir  ao  Exército.  Encarou  a  convocação  como  garantia  de  um  soldo  com  que  manter  a  família, e, ao mesmo tempo, uma boa oportunidade para adquirir novos conhecimentos. Não a desperdiçou. Os recrutas podiam fazer cursos para mecânico de automóvel, motorista e datilógrafo. Arthur fez os três. Sua intenção era conseguir um emprego estável depois que desse baixa. 

A Segunda Guerra se desenrolava na Europa e havia possibilidade de  o  Brasil  vir  a  tomar  parte  no  conflito.  Ainda  não  tinha  havido  uma  definição quanto a isso quando o rapaz foi transferido para o 1o Batalhão de Engenharia, na Vila Militar, na cidade do Rio de Janeiro. Para grande preocupação de sua mãe, com a transferência aumentaram as possibili-dades  de  Arthur  Bruno  ser  incorporado  à  futura  Força  Expedicionária. 

Brasileira, embora fosse arrimo de família. O País iniciava os preparativos para a hipótese de ter de enviar um contingente de oficiais e soldados aos campos de batalha da Itália.

A incorporação à FEB pareceu mais próxima ainda com o seu des-locamento para Natal, no Rio Grande do Norte, onde os Estados Unidos haviam instalado uma base militar. A seguir, houve mais uma transferência, desta vez para o Recife. Durante todo o tempo, Arthur Bruno continuava mandando a maior parte de seu soldo para a família, que permanecia no Espírito Santo. 

Ele  ainda  acreditava  na  possibilidade  de  embarcar  para  a  Itália  quando o conflito mundial terminou. Enquanto isso, havia conquistado sucessivamente as promoções a 3o e a 2o sargento. Foi então transferido para Campina Grande, Paraíba, e promovido a 1o sargento. Decidiu continuar na tropa por mais algum tempo. 

Acabou  ficando  seis  anos.  Somente  em  junho  de  1951,  ainda  em  Campina Grande, Arthur Bruno pediria baixa do Exército. Já vinha amadurecendo o projeto de montar uma pequena empresa de transporte de passageiros,  e  assim  que  deixou  a  Arma  passou  imediatamente  à  ação.  Começou  com  um  único  ônibus,  construído  sobre  o  chassi  de  um  caminhão  Chevrolet  1946,  e  um  só  funcionário,  que  era  ele  próprio.  Os  conhecimentos  de  mecânica  automotiva  adquiridos  naqueles  anos  lhe  seriam agora de muita utilidade. Dirigia de dia e, à noite, fazia os consertos necessários, além da limpeza do veículo. Assim nasceu a Borborema. Havia em Campina Grande uma companhia chamada Rainha da Borborema. Pediu e obteve a autorização dos proprietários para usar o mesmo nome na cidade do Recife. 

Não houve mágica, mas muito trabalho. Seu sucesso dependia fundamentalmente  dele  próprio  e,  principalmente,  da  sua  certeza  de  que,  somente fazendo muita economia e reinvestindo no negócio tudo o que pudesse, teria a chance de construir uma empresa. Por isso, entrou de corpo e  alma  na  atividade.  Sua  primeira  linha  urbana  ligava  a  Casa  Amarela,  no centro da cidade, ao bairro de Nova Descoberta. Peças e componentes necessários para manter o veículo rodando eram comprados em ferro-velho, e recondicionadas por ele. O velho ônibus tinha que vencer ruas cheias de buracos e de lama, e ainda disputar espaço com as carroças e carros de boi. 

Também era preciso dividir todo o dinheiro que entrava: uma parte ia  para  as  atividades  de  cultivo  das  terras  deixadas  pelo  pai,  no  Espírito  Santo; a outra era empregada na expansão do negócio de ônibus. Nada era  desperdiçado.  Comprava  para  ele  somente  o  indispensável,  aquilo  que não podia ser deixado para depois. Naqueles tempos difíceis, nunca lhe  faltou  o  apoio  de  sua  mulher,  Augusta,  a  quem  conhecera  no  Rio  Grande do Norte, e dos filhos Pedro, Maurício e Zélia, ainda pequenos. Com tanto esforço, em quatro anos, conseguiu montar uma frota de 30 ônibus GMC, que usuários irreverentes apelidaram de chocadeiras, por serem muito quentes. Em 1959, conseguiu adquirir seus primeiros ônibus Mercedes-Benz  LP  312,  muito  mais  confortáveis,  com  encarroçamento  Caio, Cermava e Grassi.

Mais tarde, Arthur Bruno Schwambach ingressou na operação de linhas intermunicipais e interestaduais, não sem antes examinar todas as possibilidades, adotar todos os cuidados e certificar-se exatamente do que estava  fazendo.  Certa  vez,  por  exemplo,  estava  interessado  em  adquirir  uma  operadora  alagoana  chamada  Empresa  Santanense.  Chamou  um  funcionário  de  sua  confiança  e  pediu-lhe  que  fizesse  várias  viagens  em  ônibus da Santanense. Depois de uma semana e idas e vindas, o funcionário elaborou um relatório com as informações de que Schwambach precisava para tomar a decisão. A compra foi feita e a empresa passou a chamar-se Real Alagoas. Opera transporte interestadual. 

O  modo  peculiar  como  o  empresário  vê  os  negócios  orientou  o  crescimento e o desenvolvimento das empresas do Grupo Borborema. Ele sempre achou que, por si só, o aumento da demanda por transporte não devia bastar aos objetivos da Borborema. Por isso, trabalhou na racionalização e na perfeita adequação dos serviços à realidade do mercado regional. Foi esse o motivo pelo qual preferiu não estender demasiadamente suas linhas, mesmo quando as oportunidades apareceram. 

No decorrer dos anos, o empreendimento cresceu e a marca Borborema tornou-se cada vez mais conhecida pela qualidade e eficiência dos seus serviços. Novas frentes de negócios foram abertas e outras empresas vieram para o Grupo Borborema, entre elas a Borborema-Imperial, a Real Alagoas de Viação (Maceió), a Rodoviária Borborema e a Real Transportes Urbanos, além de concessionárias de automóveis e caminhões.

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