quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Viação Itapemirim completa 45 anos de operações no Ceará

Por Fortalbus
No ano em que está completando 65 anos de fundação, a Viação Itapemirim também completa em 2018, 45 anos de atuação no estado do Ceará, um marco importante para esta empresa que se destacou ao longo de décadas por sua saga de pioneirismo que a tornou uma gigante do transporte de passageiros.

O ano era 1973, a Viação Itapemirim já operava com centenas de veículos cruzando vários estados e algumas das principais capitais brasileiras. Após sua ascensão na década de 1960, a região nordeste apresentava-se como um grande pólo gerador de passageiros, época em que o fluxo migratório tinha como principal destino a região sudeste do País.
Tribus estacionados na rodoviária do Crato-CE - década de 1980 (Acervo Itapemirim)
Novos percursos foram incorporados no começo da década de 1970, transformando a Viação Itapemirim numa empresa de âmbito nacional, transportando milhares de sonhos e passageiros entre os extremos do País. Muito bem sucedida no segmento de transportes, seu raio de atuação atingia vários estados de São Paulo ao Maranhão.
Expresso Fortaleza, adquirida pela Viação Itapemirim em 1973
A chegada à capital cearense se deu através da compra da Expresso Fortaleza, uma das empresas que realizava o percurso Fortaleza x Rio e Fortaleza x São Paulo. Um dos diferenciais da Expresso Fortaleza, que pertencia ao Grupo Expresso de Luxo, era que seus ônibus disponibilizavam um serviço diferenciado a bordo de uma frota leito e semi-leito.
Rodonave II carroceria Ciferal Líder na linha Fortaleza-Rio (Acervo Itapemirim)
A Itapemirim assumiu as linhas na segunda quinzena de junho de 1973, escalando para o trecho, inclusive os ônibus do tipo Rodonave, os mais modernos e confortáveis da frota naquela época. O percurso Fortaleza-Rio era cumprido em 40 horas, utilizando-se sete motoristas, trocados nos pontos de apoio da empresa.
Monobloco Mercedes-Benz O-355 na linha Fortaleza-Rio
Uma curiosidade na viagem a bordo da Rodonave, era que o passageiro poderia, do próprio ônibus, fazer o seu pedido ao restaurante da empresa, usando o sistema de telefonia interna, que ligava o ônibus aos pontos de apoio. Mais tarde, o comissário de bordo informava ao passageiro o número da mesa na qual era servido no restaurante, reduzindo assim, o tempo da viagem.
Embarque no Terminal Rodoviário Eng. João Thomé em Fortaleza
Ainda em 1973, a Expresso Cearense, que na época operava com cerca de 40 veículos as linhas Crato x São Paulo, Fortaleza x Rio e Fortaleza x São Paulo, cedeu seu controle acionário para a Viação Itapemirim. Além das linhas regulares partindo de Fortaleza, a empresa passou a disponibilizar ônibus para viagens turísticas e serviços receptivos na cidade.

Em 1976, a linha interestadual entre Fortaleza x Salvador iniciava suas operações de maneira compartilhada e o Grupo Itapemirim participou dessa momento tão importante para unir duas capitais nordestinas. A permissão para exploração da linha foi concedida para as empresas de ônibus Viação Brasília, de propriedade do Grupo Empresarial Raimundo Ferreira, e a Pensatur S/A, uma das empresas ligada ao Grupo Itapemirim.

Cinco anos mais tarde, em 1978, a Itapemirim escolheu a cidade de Fortaleza para o lançamento do Rodonave II, pois era uma das linhas prioritárias para recebê-los. Com apenas 18 lugares, o ônibus tinha ar condicionado, poltronas leito, serviço de bordo com lanches e bebidas, som estéreo com head-fones individuais e toalete químico.
Rodoviária de Iguatu-CE (Acervo Itapemirim)
Apesar dos luxuosos Rodonaves, a grande demanda de passageiros era atendida na maioria pelos ônibus convencionais da empresa, que na época já alcançava cerca de 60 veículos apenas para a filial de Fortaleza. 

Após a era dos monoblocos Mercedes-Benz, a Viação Itapemirim que inovou ao lançar o revolucionário Tribus, ônibus de três eixos, passou a projetar seus próprios ônibus de acordo com suas necessidades, criando através da sua montadora de ônibus, a Tecnobus, veículos personalizados com maior capacidade de transporte de bagagens e passageiros para enfrentar milhares de quilômetros pelas estradas brasileiras.

Na década de 1980, o Tribus tornou-se o principal ônibus que conduzia os passageiros do Ceará para os demais estados e localidades que atendia. Era um ônibus eficiente, equipado com 46 poltronas reclináveis, sanitário e suspensão a ar. Além das linhas para o sudeste, a Itapemirim passou a interligar Fortaleza a outros destinos como Salvador e Belém.

Em ascensão, o Grupo Itapemirim gerou outras empresas, além da Viação Penha, cujo centro de atuação era o sul do País, e da Viação Sudeste, no Espírito Santo, a Expresso Continental com atuação no norte e nordeste do Brasil, também chegou a operar linhas no Ceará. A Viação Itapemirim se torna líder latino-americana no setor de transporte rodoviário de passageiros.

Não só de Fortaleza partiam os amarelinhos da Itapemirim. Das cidades de Sobral, Juazeiro do Norte e Canindé, também partiam ônibus para o sudeste. No interior do estado, a Expresso Continental, que havia adquirido linhas das extintas Real Caririense e Viação Crateuense, permitiu que o Grupo operasse linhas intermunicipais, pois mais tarde, algumas foram transferidas para a Itapemirim.

Em 1995, com o lançamento do executivo Starbus, as viagens tornaram-se mais confortáveis a bordo dos monoblocos O-400RSD equipados com ar condicionado e água mineral a bordo. No final dos 90, surge o Golden, semi-leito com 42 lugares e mais itens de conforto proporcionando uma viagem mais agradável. O Dreambus, misto de leito e executivo, não chegou à Fortaleza, já o Rodonave (leito), operou no Ceará apenas nos primeiros anos de atuação da Itapemirim no estado.

Na ultima década, uma nova identidade visual e também novos serviços para enfrentar a concorrência com a aviação e os clandestinos. Um convencional de 50 lugares, denominado Bombon, oferecia passagens até 20% mais baratas, beneficiando especialmente as linhas que tinham como destino o nordeste. O Climm passou a substituir os serviços Starbus e Tribus, sendo então, um novo convencional com ou sem ar condicionado.

Infelizmente, uma das maiores tragédias rodoviárias, envolve a Itapemirim e o estado do Ceará. Em 2004, um ônibus que fazia a linha Fortaleza x Salvador, vitimou 42 pessoas que viajavam naquele veículo, quando o mesmo caiu num açude próximo a cidade de Barro, interior do Ceará. A tragédia de repercussão nacional trouxe uma reflexão sobre os procedimentos das saídas de emergência nos ônibus, assim como regras de segurança nos ônibus com janelas lacradas.

A redução do valor das tarifas aéreas afetaram significativamente as linhas operadas pela Itapemirim, reduzindo o numero de horários e veículos, fato observado quando comparamos a atual estrutura operacional da empresa no Ceará com a de anos atrás. Apesar disso, os tradicionais ônibus amarelos da Itapemirim continuam presente em todo o território nacional, mantendo a história viva de uma gigante do transporte ao longo desses 65 anos de existência.

Hoje a Viação Itapemirim é responsável pela operação das seguintes linhas no Ceará;

* Fortaleza x São Paulo
* Fortaleza x Salvador
* Fortaleza x Rio de Janeiro
* Fortaleza x Belém
* Sobral x Salvador
* Ipú x Rio de Janeiro
* Canindé x São Paulo
* Juazeiro do Norte x São Paulo

5 comentários:

  1. Muito boa matéria, é uma pena ver a Itapemirim na situação atual de crise financeira. Essa matéria merece bastante elogio por parte dos leitores, imagino o trabalho para montar toda essa matéria. Parabéns ao FortalBus!!!

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    1. Obrigado, nós que fazemos o Fortalbus agradecemos os sinceros elogios, afinal trabalhamos buscando agradar a maioria dos nossos leitores.

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    2. Matéria de muito bom gosto. Vcs merecem os elogios. 👏👏👏

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  2. Ainda tem a linha Fortaleza x Feira de Santana, a itapemirim incorpora na linha ftz x ssa

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  3. Muito boa a matéria, com imagens e contextualização histórica. A Itapemirim merece uma reportagem assim!

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