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Planalto Transportes, 70 anos de trabalho e estreita relação com viajantes

A história da Planalto é uma das mais longas e realizadoras do setor de transporte rodoviário de passageiros do Brasil. Começou em 1948, e ganhou impulso em 1956, talvez por um capricho da sorte. Naquele ano, a pequena empresa do ex-agricultor José Moacyr Teixeira enfrentava seu maior desafio até então: viabilizar uma linha de ônibus entre Santa Maria e Porto Alegre, toda ela por intransitáveis caminhos de terra. Além da ausência de estradas, havia uma dificuldade ainda maior: na época, naquela região, o transporte de passageiros era feito exclusivamente por via férrea e ninguém queria sequer ouvir falar em outro meio de transporte.

Até que naquele ano 1956, aconteceu uma greve dos ferroviários que afetou a região de Santa  Maria, movimento que se prolongou por mais de duas semanas. Com os trens parados, os passageiros finalmente se deram conta de que, no mesmo trajeto para Porto Alegre, transitavam diariamente as teimosas jardineiras da Empresa Planalto.

O episódio contribuiu para que a pequena empresa se firmasse mais rapidamente e para que o transporte rodoviário de passageiros assumisse pouco a pouco o lugar do trem.

A pequena empresa rodoviária cresceu, firmou-se e é hoje uma das maiores e mais tradicionais operadoras brasileiras de transporte rodoviário de passageiros, a Planalto Transportes.

Moacyr Teixeira nasceu em 1914, em Venâncio Aires, no interior gaúcho. Sua primeira ocupação foi a lavoura. Tinha pouco mais de 28 anos quando alguém ou algum fato chamou sua atenção para uns veículos barulhentos e sacolejantes conhecidos como jardineiras. Em 1944, ele teve notícia de que em Vila Joia, no distrito de Tupanciretã, estavam à venda uma jardineira e uma linha municipal. Fechou negócio e tornou-se dono da Empresa Joia e de um veículo Ford 1940, com carroçaria de madeira. Dirigiu esse veículo e transportou gente por quase três anos, entre Vila Joia e Tupanciretã, na região das Missões.

Vendeu a jardineira em 1947. Havia requerido a linha de Santa Maria a Santo Ângelo, junto com outros três sócios, e precisava de um ônibus mais adequado. E assim, no dia 2 de novembro do ano seguinte (1948), foi formalmente registrada a empresa Planalto.

As viagens geralmente começavam às 6 da manhã e só eram concluídas dez horas depois. Dois veículos se revezavam na linha, com o percurso feito num sentido em um dia, e no dia seguinte no outro. A sede da companhia ficava em Tupanciretã.

Ainda em 1948, os três sócios pediram e obtiveram autorização para fazer a linha de Santa Maria a Santo Ângelo. Um ano depois, deram início à linha para Cachoeiro. Em dezembro de 1951, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Sul autorizou a abertura da linha Santa Maria a Porto Alegre, com partidas a cada dois dias. A decisão de atingir por ônibus a capital gaúcha poderia parecer excesso de ousadia, já que as estradas eram praticamente intransitáveis e as duas cidades contavam com a certeza da ligação direta por ferrovia. José Moacyr Teixeira entendeu que havia espaço para a proeza e deu início à linha, que era operada com ônibus Ford a gasolina. O carro partia às seis horas da manhã para chegar às cinco da tarde, se tudo
corresse bem.

O primeiro Mercedes-Benz
Em 1952, José Moacyr aumentou a frota para cinco veículos e abriu novas linhas. Como a maior parte delas saía de Santa Maria, no ano seguinte transferiu para lá a sede da empresa. Até que, em 1956, aconteceu aquela greve de duas semanas que interrompeu o tráfego de trens na região e a Planalto, finalmente, viu crescer e firmar-se, em definitivo, a lotação dos seus ônibus entre Santa Maria e a capital.

Em 1957, com vários dos caminhos melhorados, a Planalto pôs para rodar o seu primeiro Mercedinho, movido a diesel. O percurso para Porto Alegre era feito três vezes por semana.

No dia 28 de dezembro de 1958, a companhia viveu um momento histórico: pela primeira vez seus ônibus passaram pela ponte sobre o rio Guaíba, que acabava de ser construída. Para se ter uma ideia da importância dessa ponte, basta dizer que ela diminuiu em duas horas o tempo da viagem. As viagens se tornaram muito mais rápidas e a Planalto recebeu autorização para fazer dois horários por dia.

De lá para cá, a companhia perdeu a conta dos milhares de vezes em que os ônibus de sua frota passaram por ali transportando passageiros. Em 1989, aos 75 anos de idade, tendo permanecido no comando por mais de quatro décadas, José Moacyr Teixeira passou para seus filhos a direção da empresa, já consolidada como uma das maiores do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Os filhos deram sequência às atividades de transporte rodoviário de passageiros e ao plano de diversificação iniciado nos anos 1980. O crescimento contínuo e seguro deu origem à formação de um dos mais sólidos grupos empresariais do Estado do Rio Grande do Sul e do País, o Grupo JMT, integrado por mais de uma dezena de empresas com ramificações nas áreas de venda e recapagem de pneus, distribuição de veículos e agropecuária.

A administração das companhias que compõem o Grupo JMT é da holding JMT Administração e Participações Ltda. Os negócios incluem um forte setor de cargas e encomendas e uma rede de concessionárias Mercedes-Benz. A Planalto tornou-se uma das marcas mais lembradas do Rio Grande do Sul. Sua sede continua em Santa Maria e é mantida uma filial em Porto Alegre. A frota de rodoviários totaliza 290 ônibus, que transportam mais de 4,5 milhões de pessoas por ano. Atualmente, o quadro de pessoal é de 1.149 colaboradores. São operadas 22 linhas interestaduais, três internacionais, 74 intermunicipais e 15 somente no verão. A idade média da frota é de 6,9 anos.

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