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Vinte anos de saudades sem a Autoviária São Vicente de Paulo

Por Fortalbus
Há 20 anos atrás, encerrava as operações uma empresa que marcou a história do transporte coletivo de Fortaleza, a Autoviária São Vicente de Paulo. A Empresa teve grande parte de suas operações voltadas principalmente para os bairros ligados pelas avenidas Francisco Sá, Leste-Oeste, Aguanambi, Frei Cirilo e a rodovia BR 116 em Fortaleza. Sua operação e pioneirismo no transporte até hoje é lembrando, com muito saudosismo. 

Fundada em 1951 pelo pioneiro Carlos de Albuquerque Lima, a Autoviária São Vicente de Paulo foi uma das maiores empresas urbanas da capital cearense, servindo os fortalezenses por mais de quatro décadas. Nesse período, a Empresa soube acompanhar no crescimento de muitas regiões de Fortaleza com forte presença nas regiões Norte (Barra do Ceará) e Sul (Messejana).

A Autoviária São Vicente de Paulo iniciou suas atividades com uma frota de apenas 4 ônibus, que faziam a rota do bairro Nossa Senhora das Graças. No início, obteve a concessão para explorar as linhas do Pirambu e Tirol, dois bairros de Fortaleza onde faltava de tudo, até ruas para os ônibus trafegarem. 

A Autoviária São Vicente de Paulo chegou a conquistar as operações das linhas que atendiam o bairro Aldeota, onde hoje está localizado a região mais nobre de Fortaleza, mas teve que abrir mão devido à concorrência desleal na época. O grande salto ocorreu no final da década de 70, quando a Autoviária São Vicente de Paulo compra as linhas que pertenciam a Viação Cruzeiro, passando assim a servir toda a área de Messejana.

Em 1979, adquiriu as primeiras unidades do Mercedes-Benz Monobloco O-364, um dos mais confortáveis e modernos veículos da época no segmento urbano. Essas unidades foram destinadas para o atendimento das principais linhas da Empresa, onde oferecia um tipo de asfalto melhor.

Em 1980, a Autoviária São Vicente de Paulo já contava com 120 veículos para atender as 20 linhas que ligavam os bairros servindo os bairros de Jardim Iracema, Álvaro Weyne, Pirambu, Barra do Ceará, Nossa Senhora das Graças, Vila Santo Antônio, Messejana, Barroso, Lagoa Redonda, Conjunto Palmeiras, Parque Santa Maria e o recém construído Centro Administrativo do Ceará no Cambeba.

A Autoviária São Vicente de Paulo adquiriu varios modelos de carrocerias e também costumava reencarroçar seus chassis mais antigos com carroceria modernas, para atender os bairros novos e ainda sem asfalto. Entre os modelos da frota que chamou a atenção, estão os dois veículos da marca Volvo com carroceria Amélia, além de quatro unidades Ciferal para atender a linha Messejana.

Por meio de uma renovação de frota de ônibus exigida pelo prefeito Ciro Gomes no início dos anos 90, várias empresas tiveram que realizar grandes compras para prosseguir operando as linhas urbanas. Nessa ocasião, a Autoviária São Vicente de Paulo adquiriu seus primeiros lotes de ônibus com chassis Scania F-112 na carroceria Marcopolo Torino de 13 metros, esses veículos foram escalados nas linhas Parque Santa Maria e Conjunto Palmeiras, que naquela momento estavam com grande expansão habitacional.

Na implantação do Sistema Integrado de Transporte (SIT-FOR), a Autoviária São Vicente de Paulo deu um grande salto e para atender as novas linhas troncais e circulares por meio das integrações dos terminais, adquiriu um volumoso lote de ônibus com motorização traseira Scania nos anos de 1992 e 1993. Nesse período a Autoviária São Vicente de Paulo também apresentou sua nova e última logomarca.

Devido aos grandes custos operacionais, a Autoviária São Vicente de Paulo a partir de 1994, passou a adquirir veículos novos com motorização dianteira Mercedes-Benz e Ford encarroçados pela Caio. Em 1996 e 1997, a Empresa foi fiel aos produtos Marcopolo. Em 1998, dividiu sua renovação de frota com a Ciferal e Marcopolo. 

Em 1999 para a sua última aquisição, a Autoviária São Vicente de Paulo optou por 40 unidades Busscar. É ano de falecimento do pioneiro Carlos Albuquerque, resultando na divisão dos bens entre os filhos e herdeiros. Nesse momento ocorre a cisão operacional da Autoviária São Vicente de Paulo dando origem às empresas Rotasol (01) e Rota Expressa (33), que continuou sob o comando de seus descendentes.

No seu auge, a Autoviária São Vicente de Paulo foi considerada a maior empresa de transporte e armazenagens do Ceará, transportava mais de 3 milhões de passageiros ao mês, operante em 43 linhas com cerca de 260 veículos, 2 garagens e o terreno de uma terceira garagem já estava sendo comprada e planejada.

Dias atuais
O DNA do pioneirismo e dedicação ao transporte de passageiros do empresário Carlos Albuquerque prosseguiu com seu filho Chiquinho Feitosa de Albuquerque mesmo após a sua morte. Hoje o Grupo Vega é referência no segmento urbano e rodoviário, com presença em vários estados do Brasil e até em Portugal.

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