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Turismo Rodoviário dá a partida para retomada do mercado

Recentemente a Organização Mundial do Turismo (OMT), divulgou um relatório onde revela que o turismo mundial vai crescer entre 3% e 4% este ano. Além disso, a entidade ressaltou que o setor registrou, em 2018, o segundo melhor resultado dos últimos 10 anos, com a marca de 1,4 bilhão de chegadas internacionais no mundo todo, 6% de aumento em relação a 2017. Alguns setores ainda esbarram em obstáculos e desafios para voltar a crescer. É o caso do Turismo Rodoviário que chegou a transportar 200 mil passageiros há 19 anos, apenas com a CVC, e viu esse número cair em 90% a procura por esse tipo de transporte nos últimos anos. Para discutir os desafios do setor e apresentar propostas que levem a uma gradual retomada, a Associação Brasileira de Agência de Viagens do Paraná reuniu no início deste mês em Curitiba, especialistas durante o 2º Fórum Nacional de Turismo Rodoviário.

Na ocasião, um dos temas abordados foi a redução na oferta aérea comercial, que nos últimos 10 anos viu decair o número de companhias da aviação comercial de 23 para 12. E esses números podem ainda piorar mais com a crise da Avianca. Apenas para Foz do Iguaçu, o cancelamento dos 3 voos diários da empresa representará até o final do ano a redução de 100 mil assentos segundo cálculos da Secretaria de Desenvolvimento e Turismo de Foz. Mas se o setor aéreo atravessa fortes turbulências, o rodoviário aposta numa gradual recuperação. Prova disso são os investimentos das empresas de ônibus em novos equipamentos, uso de novas tecnologias e programas inovadores como o Rodo-Charter que a CVC já começou a implementar em caráter experimental em 40 cidades, com perspectivas de chegar a 400 até o final do ano.

O transporte rodoviário de passageiros, que utiliza as rodovias brasileiras e realiza percursos intermunicipal, interestadual e internacional, é composto por duas atividades econômicas diferentes: o serviço regular de passageiros e o transporte sob regime de fretamento. Conjuntamente, elas são responsáveis por quase 20% do PIB do transporte nacional, conforme dados do IBGE.

Importância
Além de sua ampla cobertura territorial, este setor apresenta elevada regularidade e estabilidade de preços, garantidas pela regulamentação a que está submetido. Dessa maneira, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (ABRATI), a atividade comprova sua importância ao disponibilizar acesso ao transporte interestadual à população brasileira. Para se ter uma ideia transporte rodoviário intermunicipal, interestadual e internacional de passageiros emprega quase 200 mil trabalhadores em quase 8 mil empresas. De acordo com o Ministério do Turismo, o Brasil conta com 1,72 milhão de quilômetros de rodovias.

O uso das novas tecnologias também tem contribuído para crescimento do setor. A ClickBus é a maior plataforma para compra online de passagens de ônibus do Brasil. A compra de passagens pode ser feita online, sem ter que sair de casa. O passageiro escolhe o destino e horário, a empresa de ônibus, o assento e pode pagar em até 12 vezes, tanto pelo site, quanto pelo aplicativo, disponível em versões Android e iOS. A empresa atua deste 2013 com o intuito de facilitar o modo que o passageiro de ônibus viaja pelo Brasil. Hoje, o portfólio conta com mais de 100 empresas de ônibus que ao todo disponibilizam passagens de ônibus para mais de 4.600 destinos diferentes e mais de 100 mil rotas.

Burocracia
De acordo com o Diretor Executivo de Produto Terrestre Nacional, Claiton Armelin, o setor tem um grande potencial a ser explorado. “Aposto numa retomada, mas para isso é preciso reduzir a burocracia e agilizar a legislação, além da união dos setores envolvidos em defesa da causa. Lembro que o produto rodoviário oferece um atendimento mais personalizado ao passageiro, com atendimento de guias treinados onde o passageiro não paga pelo despacho da bagagem e viaja em poltronas super confortáveis pagando preços mais competitivos na comparação com o aéreo. Temos que apostar neste segmento”, destaca. Segundo ele, a CVC iniciou este ano um projeto piloto em 40 cidades do país, o Rodo-Charter.

“O programa prevê o bloqueio de um número de assentos em ônibus de linha regular seja ela intermunicipal ou interestadual. Ao chegar ao destino, o passageiro é recebido por um receptivo da CVC que providencia guia, traslados, passeios e hospedagem”. Segundo o dirigente até o final do ano, serão 400 cidades atendidas, sempre com saídas garantidas, sem possibilidades de cancelamento por falta de passageiros.

Em Londrina, as lojas da CVC passaram a apostar no turismo rodoviário há um ano e a demanda de passageiros só tem crescido superando a marca dos dois dígitos no período. Segundo José Carlos Quilici, franqueador master da CVC, a grande vantagem é poder atender às cidades do interior. “Você freta um ônibus e atende cidades como Londrina, Maringá, Apucarana e várias outras em programas com destino a Beto Carreto, Caldas Novas e Bonito, entre outros. O preço e o serviço compensam plenamente e a procura só tem aumentado”, destaca ele.

Segurança
Gilmar Piola, Secretário de Comércio e Turismo de Foz do Iguaçu destaca que 2/3 dos turistas que visitam a cidade na fronteira com o Paraguai utilizam o turismo rodoviário. “É um número expressivo e deve aumentar com o aumento no preço das tarifas aéreas. Ajudaria muito se houvesse maior segurança nas rodovias, fator que prejudica muito as excursões de ônibus em função da falta de segurança, sem falar na alta das taxas cobradas por algumas prefeituras e o preço abusivo dos pedágios”.

O diretor do Sinfretiba – Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento, José Vicente Ferreira, lembra que é preciso ter uma nova percepção da força desta indústria. “, Faltam investimentos e segurança nas estradas sem esquecer dos altos custos em multas impeditivas. Um nome errado de um passageiro transportado pode gerar uma multa de R$ 8 mil”, alerta ele.

Legislação
Por sua vez o vice-presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Turismo e Fretamento, Emerson Imbronizio reconhece que o principal desafio do setor é mudar a legislação ultrapassada. “Temos uma legislação burocrática, impeditiva além do fato de uma fiscalização deficiente que engessa o nosso trabalho. Isso aumenta os custos. Lembro que na Páscoa a Avianca cancelou dois mil voos e as empresas de ônibus foram impedidas de transportar os passageiros, em função das exigências burocráticas”.O presidente da ABAV-PR, Antonio Azevedo lembra que o Paraná conta apenas com quatro grandes aeroportos. “O turismo rodoviário seria a saída para atender ao mercado regional e as agências de viagens poderiam aumentar suas vendas explorando esse filão”, sugere ele.
Com informações: Folha de Londrina

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