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80% das passagens de ônibus são pagas via cartão em Fortaleza

A cada 10 viagens feitas no transporte coletivo de Fortaleza, oito são pagas via cartões. Dentre eles, os vales-transporte eletrônicos individuais ou corporativos, como o chamado Passecard, carteiras de estudante e Bilhete Único. Isso significa que 80% das cédulas do real deixaram de circular nos ônibus. Não há, no entanto, a informação de quanto esse percentual representa em valor. Atualmente, 715 dos veículos da frota de 1.850 possui autoatendimento, segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus). Implantado em outubro passado, o sistema tem dividido opiniões.

As críticas são em relação a passageiros impossibilitados de embarcar, longas esperas e demissão de cobradores. A justificativa para a incorporação do autoatendimento é que a mudança vai reduzir o número de assaltos nos coletivos. Especialistas apontam que a prática traz benefício, como a praticidade, mas não é uma medida que garante a segurança pública no meio de transporte e, em alguns casos, pode excluir grupos sociais.

“É óbvio que para o passageiro tem algumas vantagens, no sentido de não precisar mais andar com dinheiro, muitas vezes têm o carregamento automático da própria empresa, mas, na minha avaliação acho que isso traz mais vantagem para os empresários do que para os usuários”, avalia Rérisson Máximo, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), campus de Quixadá, e pesquisador do núcleo Fortaleza do Observatório das Metrópoles.

 “Acho que é um sistema que pode trazer uma certa segurança, na medida em que os ônibus passam a não ter mais dinheiro circulando. Mas a questão da segurança pública não vai resolver de fato. Em São Paulo, para você ter ideia, o sistema acontece, mas existem várias formas de pôr o crédito no cartão. E a figura do cobrador permanece. Entrou como mais uma opção, e não como uma substituição”, exemplifica.

André Lopes, doutor em Engenharia dos Transportes, professor da Universidade de Fortaleza (Unifor) e pesquisador do Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin), destaca que o assunto é complexo. “Apesar de ser um direito coletivo, é operado por empresas privadas, existem operadoras que têm a concessão das linhas. E isso vai sofrer um efeito do ponto de vista mercadológico”, observa. Nesse contexto, sugere, é oportuno repensar o modelo de transporte coletivo que não seja necessariamente por meio de concessão.

Ele reitera que a retirada do cobrador viabiliza a redução de custos da operação da frota das empresas, caso esse trabalhador seja demitido ou se ele não for remanejado para outra função. “A questão da segurança, de retirar a circulação do dinheiro de papel, é questionável. Porque, afinal de contas, quando há assalto, o crime não necessariamente se limita ao caixa. Não há nenhum efeito prático da questão de segurança só por tirar o dinheiro da passagem”, acrescenta.

 “Olhando do passageiro existe um inconveniente, a gente imagina que, no fim das contas, se eu tenho direito de utilizar um serviço público e tenho o dinheiro para pagá-lo, e não sou permitido de embarcar no veículo, inclusive, gerando situações quase vexatórias, na qual a pessoa entra no ônibus (e não tem como seguir), cria-se uma situação de constrangimento”, diz.

Ele pondera que a sistemática é utilizada em outros países e cidades, como na Holanda, mas requer adequações. “Entretanto, ao mesmo tempo, a população holandesa tem acesso ao sistema bancário, a renda. Uma condição completamente diferente da nossa proporção. Seria leviano dizer que a tendência é que reproduza o modelo holandês, a gente pode até reproduzir, no dia em que tivermos a renda per capita holandesa”.

Dimas Barreira, presidente Sindiônibus, afirma que a mudança é positiva. “É uma tendência que começa a mostrar os primeiros sinais há muitos anos. A gente vem fazendo toda uma preparação tecnológica, inclusive, não está só no nosso setor. Até o Banco Central tem metas de redução do uso de cédulas. O dinheiro implica uma série de problemas, desde a rastreabilidade a riscos de perda e atratividade para assalto”, explana

Ele nega que tenha ocorrido demissões de cobradores após a implantação do novo sistema. “O que tem de redução, nesse período, que não é tão significativo, basicamente foi absorvido ou pelas promoções, que é a maioria, ou pela própria rotatividade do setor”, ressalta. De acordo com Dimas, os profissionais estão passando por capacitação para serem remanejados em outros setores.

Mais de 1 milhão de passageiros usam o transporte coletivo na Capital diariamente, como a dona de casa Ana Alves, 49. Ela utiliza o serviço de cartão eletrônico há seis meses e considera a tecnologia positiva. “Acho bem mais prático do que ficar andando com o dinheiro. Antes, andava com uma bolsinha de moedas. Agora é, em parte, mais seguro”, avalia.

O economista e sócio da consultoria Arêa Leão, Gilberto Barbosa, explica que o recurso ajuda a aumentar a produtividade do setor. “Esse tipo de ferramenta é melhor para o negócio, consequentemente, fica um serviço mais prático. E isso gera benefício na qualidade do serviço”, considera. Porém, isso não implica na redução do preço das passagens. “Eventualmente pode acontecer, mas esse é um setor bastante regulado. Não funciona basicamente pela lógica da oferta e demanda”, pondera.

A reportagem não conseguiu contato com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro) até o fechamento desta matéria. Procurada, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) disse que as repostas foram dadas pelo Sindiônibus.
Com informações: O Povo

2 comentários:

  1. eu so acho errado e vc ser obrigado a recarga minima de R$10,00, o valor minimo era
    para ser o valor da passagem

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