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A experiência de qualidade no transporte coletivo de Fortaleza

A cidade de Fortaleza (CE) implantou seu sistema integrado, com sete terminais e tarifa única, em 1992. A gestão e manutenção dos terminais ficaram a cargo da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) até o final de 2015, quando a Socicam — uma empresa especializada em gestão integrada de espaços públicos em infraestrutura de mobilidade, com experiência em administrar estruturas rodoviárias, de portos e aeroportos —, por exemplo, assumiu o serviço.

Além de melhorar a gestão dos terminais, a contratação da empresa permitiu que profissionais da Etufor ficassem 100% focados em mobilidade urbana. “Com apenas um mês, conseguiram o que não alcançamos em 20 anos, chegando a 85% de avaliação positiva. E liberamos cerca de 300 funcionários para cuidar da operação do sistema, intervindo em linhas com filas grandes e colocando ônibus reserva, em vez de ficar de olho em camelôs”, comemora o vice-presidente da Etufor, Antonio Ferreira.

O sistema da capital cearense atende um milhão de pessoas por dia, com a operação de 2,1 mil veículos feita por 11 empresas urbanas e seis metropolitanas. O fim do comércio de ambulantes foi apenas uma das medidas tomadas pela Socicam, que também tornou os terminais mais limpos, seguros e organizados. Tudo isso com o mesmo recurso utilizado anteriormente pela prefeitura, de R$ 2 milhões mensais. Além disso, o poder público ampliou e reformou dois terminais. Nos demais, ocorreram pequenas reformas.

As mudanças foram aprovadas, conforme mostra uma pesquisa do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) feita em 2017 com 1.190 passageiros para avaliar a percepção sobre a qualidade dos terminais, a segurança e os serviços oferecidos. Desse total – sendo a maioria dos deslocamentos por motivo de trabalho ou estudo –, 90% considerou que os terminais facilitam o deslocamento pela cidade. Quesitos como tempo de espera na parada, tempo de viagem, segurança, conforto, lotação e qualidade do serviço foram bem-vistos pelo público.

“A pesquisa revelou um apreço muito grande da população pelos terminais. Fortaleza vinha passando por um cenário de violência muito forte. Então, ao chegar aos terminais, os passageiros enxergavam um oásis, pois se sentiam mais seguros. Já é cultural o uso desses espaços. Às vezes as pessoas podem até fazer um trajeto mais funcional, mas optam por ir aos terminais, até porque há serviços”, comenta o presidente do Sindiônibus, Dimas Barreira.

Serviços que poderiam ser mais bem explorados, segundo Dimas. Apesar de as lojinhas de conveniência, lanchonetes e afins serem importantes para o público que transita pelos terminais, o potencial desses espaços pode ser muito superior. Prova disso é o shopping Parangaba, que se firmou economicamente em tempo recorde. Inaugurado ao lado do terminal de mesmo nome, com ligação direta por passarela, o shopping virou exemplo de empreendimento bem-sucedido.

Agora, o desafio é integrar cada vez mais. Com a adoção do bilhete único a partir de 2011, Fortaleza implantou, em 2013, a integração temporal — que, ao contrário da integração física, em que é preciso passar pelo terminal para fazer mais de um trajeto com uma só passagem, permite a conexão entre as linhas em qualquer ponto de parada, dentro de determinado espaço de tempo. No caso da cidade, o passageiro pode usar mais de um ônibus no intervalo de duas horas.

No início, entretanto, a integração só podia ser feita em sentido único. A adesão foi baixa. Então veio o reconhecimento biométrico e a redução das fraudes. Passou a ser permitido ir para qualquer sentido com apenas uma passagem, dentro de duas horas. “As 15 mil integrações por dia saltaram para 120 mil. Essa é uma grande política, que possibilita vários usos para o serviço de transporte e com bons retornos ao público, mas, em Fortaleza, não serviu para esvaziar terminais. As pessoas querem viajar direto ou integrar via terminal. É cultural, elas gostam”, observa Dimas Barreira.

Em relação aos pontos de ônibus e às calçadas, a capital do Ceará ainda tem muito a melhorar — assim como todo o país. Por lá, são seis mil pontos, entre abrigos completos, de concreto, tubulares feitos com acrílico, e também aqueles sinalizados somente com uma placa afixada ao poste. O objetivo é buscar a integração entre os cerca de 100 km de faixas exclusivas e investir mais em calçadas, que precisam melhorar em termos de acessibilidade. Embora praticamente 100% dos ônibus tenham elevadores, nem sempre as pessoas com mobilidade reduzida conseguem chegar ao ponto de parada.

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