segunda-feira, 4 de maio de 2015

A concepção do Biodiesel no Ceará

Por Fortalbus
Primeira usina de biodiesel em Fortaleza - 1980
A ideia nasceu debaixo de um ingazeiro, árvore típica do Ceará. Era um fim de semana do ano de 1977 e o engenheiro químico Expedito José de Sá Parente descansava em seu sítio quando vislumbrou a fórmula do biodiesel através do uso de oleaginosas. “O desenho do fruto do ingá me remeteu à solução. Foi a perfeita junção da necessidade com o acaso”, lembra o pesquisador.

Já na semana seguinte, o professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) entrou no laboratório com a proposta de desenvolver o óleo vegetal. Parente experimentou a reação química entre álcool e o óleo extraído da semente o de algodão. Conhecido como transesterificação, o processo deu origem ao biodiesel. Parente testou o combustível em um velho motor e viu que funcionava.

Novos estudos aperfeiçoaram o sistema e a patente para a produção do biodiesel a partir de ésteres vegetais (tipos de compostos orgânicos) ocorreu em agosto de 1980. Em 1983, foi homologada. Entre essas datas, testes foram feitos com o veículo de manutenção da linha da Companhia de Eletricidade do Ceará (Coelce), superando as expectativas. Foi testado o biodiesel puro, o B100, na época chamado de projeto Pródiesel, por causa do Próalcool.
Primeiro ônibus funcionando com biodiesel puro
Em outubro de 1980, o biodiesel foi apresentado em Fortaleza, em um evento que contou com a presença de fabricantes de motores, ministros e o vice-presidente na época, Aureliano Chaves. Um ônibus Mercedes-Benz O-364 circulou pela cidade com biodiesel puro, transportando os convidados para a festa.

Na época foi realizado um convênio com a Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores], para um programa de testes com diversas marcas de motores. Foram produzidos cerca de 300 mil litros de biodiesel, durante 1981 e parte de 1982. Era um biodiesel de soja, mas também foram estudadas outras matérias-primas como algodão, amendoim, girassol, babaçu, maracujá e até óleo de sardinha.

Além do biodiesel, Parente trabalhou com a produção de bioquerosene voltado para aviação, num acordo com o Ministério da Aeronáutica. Em 1984, um avião Bandeirante da Embraer voou de São José dos Campos até Brasília, abastecido com óleo combustível feito de babaçu. Ainda naquele ano, houve o aborto da idéia do Prodiesel no Brasil, por falta de interesse das autoridades energéticas.

Retrocesso
A crise do petróleo, no entanto, deu força ao programa Pró-alcool. Com a produção do etanol de cana-de-açúcar, o projeto do biodiesel foi engavetado pelo governo. Dez anos depois, a patente expirou e entrou em domínio público. O Brasil só voltou os olhos novamente para o combustível renovável no início deste século.

Com a introdução do Plano Nacional de Biodiesel, em 2004, que adiciona gradualmente o biocombustível ao diesel mineral, o Brasil se tornou o segundo maior produtor de biodiesel do mundo, atrás apenas da Alemanha.

De sua experiência com o biodiesel, Expedito Parente criou em 1999 a empresa Tecbio, para planejar e construir novas usinas produtoras. Atualmente, a companhia trabalha em cooperação com institutos nacionais e estrangeiros na pesquisa de biocombustíveis originários de resíduos florestais e urbanos.

Homenagem
O engenheiro químico e professor da UFC, Expedito José de Sá Parenteera reconhecido no mundo inteiro como o pai do biodiesel.

O pesquisador atuava ainda em vários projetos, tendo recebido inúmeras homenagens em forma de comendas, troféus e diplomas de honra ao mérito no Brasil e no exterior.

A tecnologia, pesquisada pelo cearense de modo pioneiro no final da década de 1970 e patenteada nos anos 1980, tardou a ser reconhecida no Brasil, tendo sido explorada no cenário internacional, o que rendeu a seu idealizador o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), do governo americano, de empresas como a Boeing e agências como a agência espacial americana (Nasa). 

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