quarta-feira, 15 de julho de 2015

As paradas de ônibus na Praça José de Alencar

Por Fortalbus
Durante muitos anos, a Praça José de Alencar, no centro de Fortaleza, foi o principal ponto de partida de várias linhas de ônibus que tinham como destino os bairros da capital. Como a maioria das linhas tinham como trajeto o centro de Fortaleza, várias delas foram sendo posicionadas na Praça, transformando-a num dos primeiros grandes terminais de ônibus da cidade.

Apesar do belo Teatro José de Alencar situado ali, o local não recebia uma conservação e limpeza ideal, talvez pelo intenso tráfego de veículos e pessoas vindas dos quatro cantos da cidade. Estrategicamente localizada, a Praça se transformou já na década de 1960, num dos pontos mais congestionados da cidade.

Com o difícil transito nos arredores, começava a transferência de paradas para outros locais do centro, como a Praça da Estação, por exemplo. Na segunda metade da década de 1960, já se falava em planos para a retirada dos ônibus da Praça José de Alencar. 

Em 1971, o então prefeito José Walter Cavalcante entregou a reforma da Praça Castro Carreira, conhecida como Praça da Estação, sendo adaptada para servir como terminal de transportes coletivos. Para lá, foram transferidas 14 linhas da Praça José de Alencar, juntando-se aos ônibus de linhas intermunicipais.

“A Praça José de Alencar é todo um grito de protesto à espera de ser ouvido. Nela, os problemas se acumulam, com a lama nos meios-fios, os vendedores ambulantes gritando vantagens de seus produtos e os marginais se mesclando com eles para o temor dos transeuntes. Os transportes coletivos são um desacerto para todos. Essa é a realidade da Praça José de Alencar.”
Jornal O Povo - 21/01/1975

Na gestão do prefeito Evandro Ayres de Moura, em 1975, decidiu-se por uma reforma radical na Praça José de Alencar, com isto, deixaria de funcionar como terminal de ônibus. Os coletivos passariam a ser do tipo circular, com paradas rápidas de dois em dois quarteirões no perímetro central. Os terminais de ônibus sairiam da Praça Jose de Alencar para as avenidas Tristão Gonçalves e Imperador, entretanto, não foi isso que aconteceu a curto prazo.

Ainda em 1975, uma pesquisa realizada pelo Departamento Estadual de Trânsito, revelou que mais de 300 ônibus penetravam por hora na Praça José de Alencar, trazendo a necessidade de modificações de trafego no local, como a possibilidade de inverter mão em algumas ruas. A Praça José de Alencar tornou-se no maior terminal de passageiros urbanos da capital cearense, porém, em péssimas condições, pois os abrigos encontravam-se caindo aos pedaços, colocando em risco os passageiros que ali aguardavam seus ônibus. A sujeira também era outro agravante que fazia da Praça um feio cartão de visita para a cidade.
Praça José de Alencar (O Povo)
Um plano de transformação para desafogar o trânsito de veículos no centro começou com a reforma da Praça da Estação em 1978. Para lá, seriam transferidas todas as linhas do chamado canal 2, aqueles coletivos que circulavam sobre a Bezerra de Menezes com destino ao centro, assim como as linhas do canal 1, compreendendo os ônibus que demandavam da Barra do Ceará e da Avenida Francisco Sá. Totalmente reformada e adaptada para terminal de ônibus, a Praça da Estação foi entregue em 1979, organizando melhor o trânsito de coletivos na Praça José de Alencar.
Praça José de Alencar antes da reforma de 1979
Com a entrega da Praça da Estação, foram transferidas da Praça José de Alencar as seguintes linhas: Bezerra de Menezes, Conrado Cabral, João Arruda, Jardim Iracema, Vila Santo Antonio, Nossa Senhora das Graças, Jacarecanga, Francisco Sá, Álvaro Weyne, Beira Rio, Cristo Redentor, Francisco Sá, Colônia, Monte Castelo, Santa Maria, Retorno, Bairro Ellery, Antonio Bezerra, Autran Nunes, Parque Araxá, Amadeu Furtado, Presidente Kennedy, Barra do Ceará (221), Jardim Guanabara, Conjunto Polar, Quintino Cunha, Padre Andrade, Antonio Bezerra, Barra do Ceará (222) e Conjunto Nova Assunção.

Agora seria a vez da tão esperada reforma da Praça José de Alencar. Com o inicio das obras, os ônibus foram transferidos provisoriamente para a Av. Tristão Gonçalves e Praça do Carmo. Com as modificações, somente os ônibus passariam a circular no perímetro da Praça através de um novo sistema de circulação do terminal. Confira abaixo como ficou a distribuição das linhas:

Os novos abrigos de estrutura metálica instalados para abrigar cerca de 50 linhas de ônibus ficaram posicionados apenas nos lados das ruas 24 de maio e Guilherme Rocha.
Visão geral da Praça José de Alencar após a reforma de 1979
A reforma do terminal da Praça José de Alencar foi concluída em dezembro de 1979, agora recebendo um total de 54 linhas: 1. Aguanambi 01 e 02, 2. Av. 13 de Maio, 3. Castelão - via Parangaba, 4. Santa Tereza, 5. Parque Dois Irmãos – Expedicionários, 6. Montese, 7. Vila Sarita, 8. Av. Expedicionários – Perimetral, 9. Prefeito José Walter – Expedicionários, 10. Prefeito José Walter – Castelão, 11. Prefeito José Walter – DNER, 12. Prefeito José Walter – J, 13. Prefeito José Walter – L, 14. Mondubim – Siqueira, 15. Mondubim – Maraponga, 16. Messejana – Itaperi, 17. Jardim Cearense, 18. Itaoca – Expedicionários, 19. Itaoca, 20. Couto Fernandes, 21. Av. Gen. Osório de Paiva, 22. Vila Manuel Sátiro, 23. Parque São José, 24. Parque Santa rosa, 25. Av. Expedicionários – Perimetral, 26. Bela Vista, 27. São Raimundo, 28. Rodolfo Teófilo - José Bastos, 29. Rodolfo Teófilo - B. Menezes, 30. Parangaba, 31. Av. José Bastos, 32. São Francisco, 33. Bairro João XXIII, 34. Lineu Machado, 35. Henrique Jorge, 36. Cel. Francisco Nunes, 37. Demócrito Rocha, 38. Pan Americano, 39. Jardim América - via Prado, 40. Prado - via Jardim América, 41. vila União, 42. Aeroporto - via Benfica, 43. Jovita Feitosa, 44. Parque São Vicente, 45. Canindezinho – Jatobá, 46. Clube de Regatas - V. Betânia, 47. Bom Jardim, 48. Parque Santa Cecília, 49. Parque Santo Amaro, 50. Granja Portugal, 51. Bom Sucesso, 52. Conj. Ceará - 1ª  Etapa, 53. Conj. Ceará - 2ª  Etapa, 54. Conj. Ceará - 3ª Etapa.
Praça José de Alencar 1981 (Foto: Gentil Barreira)
Com as modificações, a sensação foi que a Praça José de Alencar ficou ilhada, não para os ônibus que tinham ali como ponto de retorno, mas para os automóveis particulares, pois perdiam mais uma via de acesso para acessar a região central da cidade. Assim permaneceu até 1987, quando foi decidido pela extinção daquele terminal.
Último ano de funcionamento do terminal da Praça José de Alencar (O Povo)
A desmontagem iniciou em novembro daquele ano, as 52 linhas de ônibus que paravam ali, seriam agora distribuídas por pontos estratégicos ao longo do centro. O intuito do projeto era o reaproveitamento da Praça José de Alencar para ser um espaço tipicamente cultural e de lazer para a cidade. Com os trabalhos de recuperação, foram abertos trechos das ruas General Sampaio, São Paulo e 24 de maio, proporcionando condições adequadas para o trânsito dos veículos na área.
Relação das linhas após a extinção do terminal da Praça José de Alencar (O Povo 1987)
Com a extinção do terminal, os trabalhos se dirigiram para a recuperação de uma das praças mais antigas de Fortaleza, sob administração da prefeita Maria Luíza Fontenele. Foram plantadas mudas de árvores no lugar dos pontos onde anteriormente se mantinham as paradas de ônibus, além de obras de limpeza e desobstrução da canalização de esgotos nas ruas adjacentes, diminuindo a proliferação de lama e dejetos na área que, durante alguns anos, acumulavam-se naquele trecho.

Um reordenamento definitivo entrou em vigor apenas em 1988, quando Detran e Prefeitura demoraram encontrar um acordo comum para a elaboração de uma proposta técnica para circulação e parada de ônibus urbanos na área central. As mudanças não resolveram os problemas de mobilidade no centro de Fortaleza, mas improvisou as ruas comerciais do centro com paradas distribuídas nas próprias calçadas.
Sistema de paradas do centro criado em 1988 (Arte: Fortalbus)
Com a criação do Sistema Integrado em 1992, a concentração das linhas no centro que era em torno de 95%, passaram a ser distribuídas por outras regiões da cidade, diminuindo o numero de linhas que seguiam para a região central.

Como bem conhecemos hoje, essas linhas, chamadas alimentadoras, deixam o passageiro no terminal integrado que de lá seguem ao centro sem a necessidade de pagar uma outra tarifa, sistema que se aplica para todas as regiões da cidade. Atualmente, essa integração se expande para fora dos limites físicos dos terminais, através do bilhete único que permite múltiplos embarques no período de 2 horas.
Av. da Universidade, um dos principais corredores de acesso ao centro (Década de 1990)
Sete terminais integrados foram criados por vários bairros de Fortaleza, equipamentos com estrutura planejada e bem diferente daquele primeiro grande terminal da cidade localizado nos arredores da Praça José de Alencar, um ponto que serviu durante décadas como o principal local de embarque e desembarque dos fortalezenses que tinham como destino a principal região comercial da capital cearense.

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